domingo, 7 de setembro de 2008

Reencontros


"Saudade

Praticamente desde o primeiro dia estava consciente que mais dia, menos dia tu ias partir. Hoje, quando percebi que já não estavas, senti um vazio gigantesco. Revivi cada pormenor, por mais insignificante, formando um filme mental. Recordei os sorrisos, os olhares envergonhados, as frases rápidas, algumas inacabadas...Tentei convencer-me que tinha sido melhor assim. Quis acreditar que era preferível não arriscar o desgosto e recordar-te sempre pelo sorriso simpático. À medida que as horas passam e a impossibilidade de te tocar aumenta, vejo as coisas com outros os olhos. Começo a pensar que mais valia ter arriscado. Que talvez fosse preferível arriscar a dor de uma rejeição, do que viver os próximos dias a pensar como podia ter sido se me tivesse aventurado mais um pouco. "
Domingo, 9 de Setembro de 2007
I Find you xD

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Dias

Segunda-feira faço exame de código. À medida que esse dia se aproxima de mim, eu sinto-me a ficar nervosa. De repente, parece mais difícil respirar, enquanto os suspiros se multiplicam. Fiquei presa em pensamentos negativos, a toda a hora uma consciência maléfica sussurra-me ao ouvido que não estou suficientemente preparada, ou, que por muito que faça vou chumbar. Então, volto ao silêncio, ao olhar distante e a mergulhar na tristeza. Mas o dia 8 não é o único que me está a preocupar. O dia 14 vem aí e a ideia de não entrar no curso que desejo e que pelo menos, por agora me parece o melhor para mim, assusta-me. Não sei como posso reagir se vir o meu esforço a desfazer-se com o meu sonho. Tenho receio de me voltar a entregar à melancolia e perder outra vez um bocadinho de alegria. Por tudo isto, adivinham-se dias difíceis na luta contra a obesidade e pelo corpo perfeito. Oxalá, o Sol volte a brilhar para mim…

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Amizade

Queria tanto escrever, mas as palavras fogem-me. Foi uma noite tão especial esta…
Hoje voltei a sentir-me derrotada, quando cheguei a casa para almoçar rejeitei a sopa e entreguei-me a um resto de bolo que fiz ontem. Aquele resto de bolo fez-me comer uma série de outras coisas que me estavam a tentar. “Perdido por cem, perdido por mil”, pensei eu. À tarde já não tive vontade de fazer mais nada e sinceramente a ideia de ir jantar com vocês também não me deixava muito confortável. Nunca fomos de partilhar grandes confidências, para além disso já não nos víamos à bastante tempo e eu começava a recear que o jantar fosse feito ao som de conversas banais e temperado com alguns silêncios incomodativos. Sem falar naquela carta apetecível, que só de olhar para ela sinto uma compulsão a quer nascer dentro de mim. A verdade é que as coisas foram tão diferentes daquilo que eu esperava. Quando dei por mim, todas tínhamos partilhado um pedacinho de nós e exorcizado algum fantasma. Fiquei tão feliz por ver que confiavam em mim para desabafar coisas tão vossas e que eu também podia falar de coisas que tinha condenado a ficarem no papel. No entanto foi uma felicidade triste. Tenho pena que só tenhamos chegado a este ponto agora e que esta possa ter sido a primeira e última noite em que isso aconteceu.
Quando transpus aqueles portões pela última vez, prometi a mim mesma que não vos ia perder, a vocês e mais alguns, pareciam me demasiado especiais para vos deixar passar tão depressa por mim. Mas a faculdade vai mudar tanto as nossas vidas que tenho medo de vos perder o rasto. De qualquer maneira todas as nossas conversas vão ficar guardadas num cantinho muito especial do meu coração e vocês serão as recordações do meu 12º ano.

Obrigado por tudo princesas :)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

1º de Setembro

De repente ficou tudo melhor e eu nem sei porquê. Voltei a sair com os meus amigos e já não preciso de fazer um esforço para ser a menina brincalhona, faladora e sorridente a que eles se acostumaram. Agora, as brincadeiras nascem naturalmente, as conversas surgem a propósito de qualquer coisa, bem como os sorrisos. Sinto-me bem com eles, apesar de aquela vozinha não se cansar de me dizer que menos um quilo aqui, outro acolá, faziam toda a diferença. Ultimamente tem sido tão difícil controlar aquilo que como, parece que todo o controlo que tinha sobre mim se desvaneceu. Eu ia me sentir tão mais confiante se conseguisse entrar na Faculdade com menos um ou dois quilos… Mas, apesar das batalhas perdidas dia após dia, ainda não perdi a confiança e acredito sempre que no dia seguinte vai correr melhor, bem melhor.
E amanhã vai correr melhor, bem melhor…

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Estar só


Estou triste e sinto-me só. A casa é grande e está demasiadas vezes vazias. Nunca há ninguém para se sentar comigo à mesa ao almoço e desejar bom apetite, ou para me fazer companhia durante a tarde. Fico à espera que ligues e me digas o que vamos fazer durante a tarde, mas tu já não ligas. Agora tens outras coisas para fazer e não consegues tempo para os nossos cafés, temperados com longas conversas sobre tudo e nada. Então, fico mais uma tarde sozinha, enrolada na velha manta. Abro o livro de código, fecho o livro de código. Ligo o programa de testes, desligo o programa de testes. Acendo a televisão, apago a televisão. Ponho um CD a tocar, tiro o CD. E como, como, como, como por demais… Quando finalmente chega a noite, voltas para casa, esfomeada e cansada, tão cansada que adormeces sem me perguntar como correu o meu dia ou o que vou fazer no dia seguinte. Sem dar por isso volto a ficar sozinha e o ritual recomeça. Vou buscar a manta e abro o livro de código, fecho o livro de código. Ligo o programa de testes, desligo o programa de testes. Acendo a televisão, apago a televisão. Ponho um CD a tocar, tiro o CD. E como, como, como, como por demais… Até que começo a pedir aos olhos que se fechem e me deixem dormir durante muito tempo. Eles, teimosos, não cedem, enquanto isso eu continuo acordada a sentir o amargo sabor de estar só. Volto a chamar o sono e os sonhos, desta vez com o olhar menos desperto consigo adormecer. Boa noite para mim.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Ser egoísta

Maldito relógio, que não dás tréguas! O teu tic-tac infernal não para e arrasta com ele todos os momentos bons, todas as pessoas inesquecíveis.
Desta vez és tu! Partes atrás de um sonho, mas então e eu? Entras de mansinho, trazes as tuas malas e instalas-te confortavelmente no meu coração e depois? Depois sais assim, dizendo apenas que na próxima semana vais a Barcelona procurar casa e matricular-te, que voltas, mas que na semana seguinte regressas e desta vez não sabes quando voltas. Por essa altura os meus olhos enchem-se de lágrimas, apesar disso, com a tranquilidade de sempre festejei contigo, mas lá no fundo, desejei que não fosses, que ficasses aqui comigo para continuarmos a partilhar os risos e as lágrimas, as conquistas e as derrotas, os sonhos, os projectos, as paixões, os medos… Pensei que aos poucos a amizade fosse falar mais alto, o egoísmo sossegasse e eu parasse de desejar em silêncio que ficasses. Só que a verdade, é que ainda não me consigo imaginar sem a minha amiga e confidente e desculpa-me por isso…

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Jogar às escondidas

Ultimamente o contacto com as pessoas assusta-me, só saio de casa para ir às aulas de código ou de condução e quando chego a casa sinto-me tão cansada de sorrir e conversar com toda gente. Depois deito-me e deixo-me dormir durante grande parte da tarde. O telemóvel está muitas vezes desligado, ou isso, ou em silêncio. A minha mãe tem ordem para dizer a todas as minhas amigas que não estou, que ainda não cheguei ou o que lhe ocorrer, sinto-me demasiado cansada para conversar. O modo no MSN é sempre o mesmo: “Aparecer como offline”! Na rua escolho os caminhos mais solitários para evitar encontrar alguém conhecido e ter de ficar ali a conversar, sobre tudo e nada, este e aquele… Sinceramente, ainda não consegui perceber porque reajo assim, mas parece-me tudo muito cansativo e desgastante por de mais. Só o silêncio e o escuro me parecem suportáveis e por isso me escondo…