quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Amizade

Queria tanto escrever, mas as palavras fogem-me. Foi uma noite tão especial esta…
Hoje voltei a sentir-me derrotada, quando cheguei a casa para almoçar rejeitei a sopa e entreguei-me a um resto de bolo que fiz ontem. Aquele resto de bolo fez-me comer uma série de outras coisas que me estavam a tentar. “Perdido por cem, perdido por mil”, pensei eu. À tarde já não tive vontade de fazer mais nada e sinceramente a ideia de ir jantar com vocês também não me deixava muito confortável. Nunca fomos de partilhar grandes confidências, para além disso já não nos víamos à bastante tempo e eu começava a recear que o jantar fosse feito ao som de conversas banais e temperado com alguns silêncios incomodativos. Sem falar naquela carta apetecível, que só de olhar para ela sinto uma compulsão a quer nascer dentro de mim. A verdade é que as coisas foram tão diferentes daquilo que eu esperava. Quando dei por mim, todas tínhamos partilhado um pedacinho de nós e exorcizado algum fantasma. Fiquei tão feliz por ver que confiavam em mim para desabafar coisas tão vossas e que eu também podia falar de coisas que tinha condenado a ficarem no papel. No entanto foi uma felicidade triste. Tenho pena que só tenhamos chegado a este ponto agora e que esta possa ter sido a primeira e última noite em que isso aconteceu.
Quando transpus aqueles portões pela última vez, prometi a mim mesma que não vos ia perder, a vocês e mais alguns, pareciam me demasiado especiais para vos deixar passar tão depressa por mim. Mas a faculdade vai mudar tanto as nossas vidas que tenho medo de vos perder o rasto. De qualquer maneira todas as nossas conversas vão ficar guardadas num cantinho muito especial do meu coração e vocês serão as recordações do meu 12º ano.

Obrigado por tudo princesas :)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

1º de Setembro

De repente ficou tudo melhor e eu nem sei porquê. Voltei a sair com os meus amigos e já não preciso de fazer um esforço para ser a menina brincalhona, faladora e sorridente a que eles se acostumaram. Agora, as brincadeiras nascem naturalmente, as conversas surgem a propósito de qualquer coisa, bem como os sorrisos. Sinto-me bem com eles, apesar de aquela vozinha não se cansar de me dizer que menos um quilo aqui, outro acolá, faziam toda a diferença. Ultimamente tem sido tão difícil controlar aquilo que como, parece que todo o controlo que tinha sobre mim se desvaneceu. Eu ia me sentir tão mais confiante se conseguisse entrar na Faculdade com menos um ou dois quilos… Mas, apesar das batalhas perdidas dia após dia, ainda não perdi a confiança e acredito sempre que no dia seguinte vai correr melhor, bem melhor.
E amanhã vai correr melhor, bem melhor…

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Estar só


Estou triste e sinto-me só. A casa é grande e está demasiadas vezes vazias. Nunca há ninguém para se sentar comigo à mesa ao almoço e desejar bom apetite, ou para me fazer companhia durante a tarde. Fico à espera que ligues e me digas o que vamos fazer durante a tarde, mas tu já não ligas. Agora tens outras coisas para fazer e não consegues tempo para os nossos cafés, temperados com longas conversas sobre tudo e nada. Então, fico mais uma tarde sozinha, enrolada na velha manta. Abro o livro de código, fecho o livro de código. Ligo o programa de testes, desligo o programa de testes. Acendo a televisão, apago a televisão. Ponho um CD a tocar, tiro o CD. E como, como, como, como por demais… Quando finalmente chega a noite, voltas para casa, esfomeada e cansada, tão cansada que adormeces sem me perguntar como correu o meu dia ou o que vou fazer no dia seguinte. Sem dar por isso volto a ficar sozinha e o ritual recomeça. Vou buscar a manta e abro o livro de código, fecho o livro de código. Ligo o programa de testes, desligo o programa de testes. Acendo a televisão, apago a televisão. Ponho um CD a tocar, tiro o CD. E como, como, como, como por demais… Até que começo a pedir aos olhos que se fechem e me deixem dormir durante muito tempo. Eles, teimosos, não cedem, enquanto isso eu continuo acordada a sentir o amargo sabor de estar só. Volto a chamar o sono e os sonhos, desta vez com o olhar menos desperto consigo adormecer. Boa noite para mim.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Ser egoísta

Maldito relógio, que não dás tréguas! O teu tic-tac infernal não para e arrasta com ele todos os momentos bons, todas as pessoas inesquecíveis.
Desta vez és tu! Partes atrás de um sonho, mas então e eu? Entras de mansinho, trazes as tuas malas e instalas-te confortavelmente no meu coração e depois? Depois sais assim, dizendo apenas que na próxima semana vais a Barcelona procurar casa e matricular-te, que voltas, mas que na semana seguinte regressas e desta vez não sabes quando voltas. Por essa altura os meus olhos enchem-se de lágrimas, apesar disso, com a tranquilidade de sempre festejei contigo, mas lá no fundo, desejei que não fosses, que ficasses aqui comigo para continuarmos a partilhar os risos e as lágrimas, as conquistas e as derrotas, os sonhos, os projectos, as paixões, os medos… Pensei que aos poucos a amizade fosse falar mais alto, o egoísmo sossegasse e eu parasse de desejar em silêncio que ficasses. Só que a verdade, é que ainda não me consigo imaginar sem a minha amiga e confidente e desculpa-me por isso…

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Jogar às escondidas

Ultimamente o contacto com as pessoas assusta-me, só saio de casa para ir às aulas de código ou de condução e quando chego a casa sinto-me tão cansada de sorrir e conversar com toda gente. Depois deito-me e deixo-me dormir durante grande parte da tarde. O telemóvel está muitas vezes desligado, ou isso, ou em silêncio. A minha mãe tem ordem para dizer a todas as minhas amigas que não estou, que ainda não cheguei ou o que lhe ocorrer, sinto-me demasiado cansada para conversar. O modo no MSN é sempre o mesmo: “Aparecer como offline”! Na rua escolho os caminhos mais solitários para evitar encontrar alguém conhecido e ter de ficar ali a conversar, sobre tudo e nada, este e aquele… Sinceramente, ainda não consegui perceber porque reajo assim, mas parece-me tudo muito cansativo e desgastante por de mais. Só o silêncio e o escuro me parecem suportáveis e por isso me escondo…

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Pai

Sinto saudade. O ritual de manhã já não é o mesmo. Agora quando passo no teu quarto, já não estás lá. A cama está vazia, procuro o teu rosto para te dar um beijo de "Bom dia!", mas em vão. Voltei-me a esquecer que já não estás cá. Procuro o teu pólo velhinho, sinto-lhe o cheiro, depois aperto-o contra o meu peito com muita força, desejando que tenhas um bom dia. Depois vou-me embora com a memória do teu cheiro e o calor dos teus abraços no pensamento. E nesses dias, tenho sempre dias menos sós. Ao almoço procuro o teu número para te contar como está a correr o meu dia - "O número que marcou de momento não está disponível, por favor tente mais tarde." - Bolas! Voltei-me a esquecer que aquele já não é o teu número. Almoço com a saudade a provocar-me um nó na garganta e no coração. Às vezes fico mesmo convencida que as saudades fazem mesmo doer o coração e que isso não é só mais uma metáfora tonta que as pessoas utilizam. À tarde quando volto para casa, chamo por ti para vires lanchar como sempre fiz, mas tu não vens... E quando chega a noite e o jantar, continuo a por o teu lugar na mesa e a tagarelar como antes na esperança que tu me ouças. Sabes, à noite quando estou a ver televisão ou no computador, chego a sentir saudades de te ouvir resmungar por eu me rir tão alto... Antes de me deitar volto a ir buscar o teu pólo e adormeço abraçada a ele, sempre à espera da noite em que tu voltas para me aconchegar.

Sinto saudades tuas...

domingo, 20 de julho de 2008

Dores

O tempo passou e aquilo que fizeste, deixou de doer e tornou-se num leve ardor, por vezes mais aceso, mas quase sempre, um simples e ligeiro ardor. Porém, continuo sem saber onde te colocar. Meu amigo já não és, preferes ignorar-me e fazer de conta que não me vês. Agora que terminaram as aulas, nem meu colega és! Mas a verdade é que também não és um estranho, mais um que passa por mim e pelo qual eu nem sequer dou conta. A realidade é que todas as vezes que me cruzo contigo, um friozinho me invade o estômago e aos poucos percorre-me todo o corpo e se desfaz num arrepio. Apesar disso, não consigo acreditar que te ame e que estes sejam os sinais da minha paixão. Desde daquela noite que ficou a convicção de que não te podia amar mais, ninguém ama um homem que olha daquela maneira uma mulher. Por isso vou-me auto-convencendo (?) que é o constrangimento a falar mais alto e que por isso fico sem graça de cada vez que os nossos olhares se tocam. Devias-me conhecer melhor e saber que eu continuo a ser a minha dos totós, embora já não os traga. Tinhas que saber que por muito flexível que te possa parecer, sou idealista por de mais e jurei jamais voltar a ceder a impulsos como aqueles. Não podias ter ultrapassado os limites e desrespeitar-me daquela maneira! Quem pensas que sou? Por quem me tomas? Perdoei tudo isto, mas não perdoo-o o facto de teres deixado de ser meu amigo, para te tornares no estranho do qual tenho vergonha! E isso, isso nunca vai deixar de doer...