quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Estar só


Estou triste e sinto-me só. A casa é grande e está demasiadas vezes vazias. Nunca há ninguém para se sentar comigo à mesa ao almoço e desejar bom apetite, ou para me fazer companhia durante a tarde. Fico à espera que ligues e me digas o que vamos fazer durante a tarde, mas tu já não ligas. Agora tens outras coisas para fazer e não consegues tempo para os nossos cafés, temperados com longas conversas sobre tudo e nada. Então, fico mais uma tarde sozinha, enrolada na velha manta. Abro o livro de código, fecho o livro de código. Ligo o programa de testes, desligo o programa de testes. Acendo a televisão, apago a televisão. Ponho um CD a tocar, tiro o CD. E como, como, como, como por demais… Quando finalmente chega a noite, voltas para casa, esfomeada e cansada, tão cansada que adormeces sem me perguntar como correu o meu dia ou o que vou fazer no dia seguinte. Sem dar por isso volto a ficar sozinha e o ritual recomeça. Vou buscar a manta e abro o livro de código, fecho o livro de código. Ligo o programa de testes, desligo o programa de testes. Acendo a televisão, apago a televisão. Ponho um CD a tocar, tiro o CD. E como, como, como, como por demais… Até que começo a pedir aos olhos que se fechem e me deixem dormir durante muito tempo. Eles, teimosos, não cedem, enquanto isso eu continuo acordada a sentir o amargo sabor de estar só. Volto a chamar o sono e os sonhos, desta vez com o olhar menos desperto consigo adormecer. Boa noite para mim.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Ser egoísta

Maldito relógio, que não dás tréguas! O teu tic-tac infernal não para e arrasta com ele todos os momentos bons, todas as pessoas inesquecíveis.
Desta vez és tu! Partes atrás de um sonho, mas então e eu? Entras de mansinho, trazes as tuas malas e instalas-te confortavelmente no meu coração e depois? Depois sais assim, dizendo apenas que na próxima semana vais a Barcelona procurar casa e matricular-te, que voltas, mas que na semana seguinte regressas e desta vez não sabes quando voltas. Por essa altura os meus olhos enchem-se de lágrimas, apesar disso, com a tranquilidade de sempre festejei contigo, mas lá no fundo, desejei que não fosses, que ficasses aqui comigo para continuarmos a partilhar os risos e as lágrimas, as conquistas e as derrotas, os sonhos, os projectos, as paixões, os medos… Pensei que aos poucos a amizade fosse falar mais alto, o egoísmo sossegasse e eu parasse de desejar em silêncio que ficasses. Só que a verdade, é que ainda não me consigo imaginar sem a minha amiga e confidente e desculpa-me por isso…

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Jogar às escondidas

Ultimamente o contacto com as pessoas assusta-me, só saio de casa para ir às aulas de código ou de condução e quando chego a casa sinto-me tão cansada de sorrir e conversar com toda gente. Depois deito-me e deixo-me dormir durante grande parte da tarde. O telemóvel está muitas vezes desligado, ou isso, ou em silêncio. A minha mãe tem ordem para dizer a todas as minhas amigas que não estou, que ainda não cheguei ou o que lhe ocorrer, sinto-me demasiado cansada para conversar. O modo no MSN é sempre o mesmo: “Aparecer como offline”! Na rua escolho os caminhos mais solitários para evitar encontrar alguém conhecido e ter de ficar ali a conversar, sobre tudo e nada, este e aquele… Sinceramente, ainda não consegui perceber porque reajo assim, mas parece-me tudo muito cansativo e desgastante por de mais. Só o silêncio e o escuro me parecem suportáveis e por isso me escondo…

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Pai

Sinto saudade. O ritual de manhã já não é o mesmo. Agora quando passo no teu quarto, já não estás lá. A cama está vazia, procuro o teu rosto para te dar um beijo de "Bom dia!", mas em vão. Voltei-me a esquecer que já não estás cá. Procuro o teu pólo velhinho, sinto-lhe o cheiro, depois aperto-o contra o meu peito com muita força, desejando que tenhas um bom dia. Depois vou-me embora com a memória do teu cheiro e o calor dos teus abraços no pensamento. E nesses dias, tenho sempre dias menos sós. Ao almoço procuro o teu número para te contar como está a correr o meu dia - "O número que marcou de momento não está disponível, por favor tente mais tarde." - Bolas! Voltei-me a esquecer que aquele já não é o teu número. Almoço com a saudade a provocar-me um nó na garganta e no coração. Às vezes fico mesmo convencida que as saudades fazem mesmo doer o coração e que isso não é só mais uma metáfora tonta que as pessoas utilizam. À tarde quando volto para casa, chamo por ti para vires lanchar como sempre fiz, mas tu não vens... E quando chega a noite e o jantar, continuo a por o teu lugar na mesa e a tagarelar como antes na esperança que tu me ouças. Sabes, à noite quando estou a ver televisão ou no computador, chego a sentir saudades de te ouvir resmungar por eu me rir tão alto... Antes de me deitar volto a ir buscar o teu pólo e adormeço abraçada a ele, sempre à espera da noite em que tu voltas para me aconchegar.

Sinto saudades tuas...

domingo, 20 de julho de 2008

Dores

O tempo passou e aquilo que fizeste, deixou de doer e tornou-se num leve ardor, por vezes mais aceso, mas quase sempre, um simples e ligeiro ardor. Porém, continuo sem saber onde te colocar. Meu amigo já não és, preferes ignorar-me e fazer de conta que não me vês. Agora que terminaram as aulas, nem meu colega és! Mas a verdade é que também não és um estranho, mais um que passa por mim e pelo qual eu nem sequer dou conta. A realidade é que todas as vezes que me cruzo contigo, um friozinho me invade o estômago e aos poucos percorre-me todo o corpo e se desfaz num arrepio. Apesar disso, não consigo acreditar que te ame e que estes sejam os sinais da minha paixão. Desde daquela noite que ficou a convicção de que não te podia amar mais, ninguém ama um homem que olha daquela maneira uma mulher. Por isso vou-me auto-convencendo (?) que é o constrangimento a falar mais alto e que por isso fico sem graça de cada vez que os nossos olhares se tocam. Devias-me conhecer melhor e saber que eu continuo a ser a minha dos totós, embora já não os traga. Tinhas que saber que por muito flexível que te possa parecer, sou idealista por de mais e jurei jamais voltar a ceder a impulsos como aqueles. Não podias ter ultrapassado os limites e desrespeitar-me daquela maneira! Quem pensas que sou? Por quem me tomas? Perdoei tudo isto, mas não perdoo-o o facto de teres deixado de ser meu amigo, para te tornares no estranho do qual tenho vergonha! E isso, isso nunca vai deixar de doer...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

São-nos pedidas seis palavras para uma “muito curta” biografia e podemos dar-lhes ênfase com uma imagem. Devemos colocar um link para quem nos desafiou e por nossa vez desafiar cinco blogs, avisando-os deste mesmo convite.

Contos - Sonhos - Recordações - Saudade - Gargalhadas - Stress

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Dias particularmente dificeis...


Hoje foi um dia particularmente difícil, aliás como todos os outros ultimamente. O despertador tocou repetidas vezes, os olhos teimavam em não abrir e eu ali fiquei, enroscada nos lençóis, enquanto pensava no que vestir ou tentava rever mentalmente as falas que não sabia para apresentação que tinha pela manhã ou insistia um bocadinho mais na ideia de que ninguém gosta de mim. Quando vi que o relógio não podia esperar mais por mim, decido levantar-me. Vesti-me num ápice, passo os olhos pelo espelho e por momentos sinto pena de mim…Que aspecto horrível…As olheiras pintavam-me o rosto, a palidez de quem precisava de comida davam-me um ar cadavérico, só o olhar triste dava sensação de estar perante um vivo. Computadores, cabos, papéis e mais papéis, um livro e outro livro, dentes lavados à pressa, a comida fica para um momento mais oportuno. Passo por ti e comentas o meu mal aspecto, tu também o fazes e eu em silêncio concordo vocês. Finalmente cheguei…Passo por ti, faço de conta que não te vejo, nem sei bem porquê…Óptimo, uma fila! Não desejava eu outra coisa, e quando finalmente chega a minha vez de ser atendida, encontro-te a ti que tens todos os dias, dias particularmente difíceis. Tu, decides abrir cuidadosamente uma resma de papel, colocá-la correctamente alinhada na fotocopiadora para a seguir não tirares uma única cópia! Enquanto isso. eu espero, pacientemente, eu espero…Reencontro-te, aliás sei que estás ali, estás ali sempre, mas olho o telemóvel fingindo-me distraída. E depois grito contigo e contigo. Vou para a aula. Apercebo-me que fui egoísta. Volto às aulas, e volto a gritar, desta vez contigo e contigo. Apresento o já falado trabalho e vejo-me a destruir o trabalho de um ano…Os níveis de adrenalina descem brutalmente e eu fico completamente alienada. Tempero a tristeza com um croissant e ao primeiro momento de lucidez rogo pragas à estupidez. Vens me buscar para almoçar, não me apetece nada, estou sem força para improvisar sorrisos e conversas sobre tudo e nada. Perguntas-me porque ando tão triste respondo-te que é cansaço. E afinal porque estou tão triste? Não estou! Se calhar estou mesmo cansada…Casa, “Lar doce lar!” Um telemóvel com saldo, posso finalmente emendar as coisas…Um gelado, pão com manteiga, jantar com mãe e o pássaro cresce, cresce e cresce…